REPRESENTAÇÕES BIDIMENSIONAIS DE FIGURAS TRIDIMENSIONAIS: UM ESTUDO COM A VISUALIZAÇÃO

Autores

  • Vera Helena Giusti de Souza
  • Maria Elisa Esteves Lopes Galvão
  • Wilson Roberto Soluna de Souza

DOI:

https://doi.org/10.17921/2176-5634.2014v7n1p%25p

Resumo

Descrevemos as etapas de uma pesquisa interventiva, com análise qualitativa dos dados, que teve por objetivo investigar se a observação e a interpretação de imagens bidimensionais variadas contribuem para o desenvolvimento de habilidades de visualização (GUTIERREZ, 1996; PARSYSZ, 1988). As imagens foram escolhidas de forma a mostrar a evolução, ao longo do tempo, de recursos técnicos utilizados para representá-las. Com esse objetivo, formulamos duas questões de pesquisa: “A utilização de imagens externas variadas pode ajudar no desenvolvimento de habilidades de visualização?” e “Quais habilidades de visualização podem ser desenvolvidas com a análise dessas imagens?”. Os sujeitos foram quatro alunos brasileiros do terceiro ano do Ensino Médio (17-18 anos de idade) e cada um deles participou de duas entrevistas semiestruturadas (YUNES, 1998), áudio-gravadas, separadas por um trabalho individual. Na primeira entrevista, os sujeitos responderam, por escrito, questões investigativas elaboradas com base em características como tamanho, profundidade e organização das imagens representadas em gravuras, com o objetivo de provocar uma discussão inicial sobre a leitura e a interpretação de representações bidimensionais de figuras tridimensionais. Ao final da entrevista, os alunos receberam duas gravuras, cada uma com um conjunto de perguntas para serem respondidas por escrito e individualmente, cujas respostas deveriam ser trazidas para a segunda entrevista. Nesta, é apresentada uma figura em perspectiva cônica e são exemplificadas algumas regras de perspectiva; em seguida, os alunos voltaram a observar as gravuras da primeira entrevista, para identificar a presença ou não dessas regras e para classificá-las como cônicas, paralelas ou nenhuma delas, buscando determinar possíveis pontos de fuga. A análise qualitativa dos protocolos mostrou que os alunos aumentaram seu repertório de imagens e despertaram para a necessidade de ficarem atentos para as características da representação, a fim de bem interpretá-las. A reflexão sobre os resultados leva-nos a recomendar a vivência de atividades de interpretação de imagens na sala de aula e na escola, para incentivar o aluno a desenvolver habilidades de visualização que poderão ajudá-lo no processo de aprendizagem da Geometria e que priorizem a qualidade na leitura, na interpretação e na representação plana de objetos geométricos. Os dados analisados mostram que estes indivíduos se baseiam essencialmente no pólo do visto (PARSYSZ, 1988) e evidenciam indícios, após as entrevistas, das habilidades percepção de figura-de-fundo e discriminação visual.

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Publicado

2015-06-18

Edição

Seção

Artigos