Um Design do Processo Formativo: Vivências, Teorias e Saberes do Professor que Ensina Matemática

Autores

  • Maria das Graças Bezerra Barreto Secretaria de Educação do Município de São Paulo. SP, Brasil.
  • Maria Elisabette Brisola Brito Prado Universidade Anhanguera de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática. SP, Brasil; Unopar, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias. PR, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.17921/2176-5634.2018v11n3p245-252

Resumo

Este artigo tem como objetivo apresentar e analisar os aspectos dos diferentes momentos e ações constituintes do design de um processo formativo, buscando compreender como um grupo de professoras sabe, pratica e ressignifica alguns assuntos matemáticos e o seu ensino. A pesquisa, de caráter qualitativo, utilizou para a coleta de dados, questionário, gravação em vídeo dos encontros e protocolos das atividades das professoras participantes. Foram realizadas 40 horas de encontros quinzenais na universidade, durante seis meses. Participaram da formação 14 professoras: oito pedagogas que atuam nos anos iniciais e seis professoras de matemática dos anos finais do Ensino Fundamental. A organização dos encontros se constituiu por um movimento cíclico, no sentido de uma espiral crescente, agregando ação-estudo-reflexão-intervenção-prática-na-escola. Esse movimento transformou os encontros em experiências produtivas, que alicerçavam e impulsionavam o grupo na busca de novas compreensões. O referencial teórico pautou-se nas ideias de Zeichner; Vergnaud; Ball, Thames e Phelps, entre outros estudos relacionados ao tema. A análise mostrou que as características desse design formativo e a constituição do grupo, principalmente pelo fato de as professoras terem participado como protagonistas do próprio processo de aprendizagem, contribuíram para que pudessem ressignificar o conhecimento do conteúdo matemático abordado de forma integrada aos conhecimentos do aluno e do ensino.

 

Palavras-chave: Formação Continuada. Conhecimento Profissional. Aprendizagem do Adulto. Diálogo Reflexivo. Prática Pedagógica

 

Abstract

This paper aims to present and analyze the aspects of the different moments and constitutive actions of the design of a formative process, trying to understand how a group of teachers knows, practices and re-signifies some mathematical subjects and their teaching. The qualitative research was used for the data collection, questionnaire, video recording of the meetings and the protocols of the activities of the participating teachers. Forty-four hours of fortnightly meetings were held at the university for six months. Fourteen teachers took part in the training, with eight pedagogues working in the initial years and six mathematics teachers from the final years of Elementary School. The organization of the meetings was constituted by a cyclical movement towards a growing spiral combining action-study-reflection-intervention-practice-in-school. This movement transformed the meetings into productive experiences that supported and encouraged the group in the search for new understandings. The theoretical framework was based on the ideas of Zeichner; Vergnaud; Ball, Thames and Phelps, among other studies related to the subject. The analysis showed that the characteristics of this formative design and the constitution of the group, mainly due to the fact that the teachers participated as protagonists of the learning process itself, helped to re-signify the knowledge of the mathematical content addressed in an integrated way to the student's knowledge and to the teaching.

 

Keywords: Continued Education. Professional Knowledge. Adult Learning. Reflexive Dialog. Pedagogical Practice.

Referências

Alarcão, I. (1996). Reflexão crítica sobre o pensamento de D. Schön e os programas de formação de professores. In I. Alarcão (Org.). Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão,189 pp.. Porto: Porto.

Ball, D. L., Thames, M. H., & Phelps, G. (2008). Content knowledge for teaching: What makes it special? Journal of Teacher Education, 59(5), 389-407.

Barreto, M. G. B. (2016). Formação continuada: um desvelar de saberes dos professores da educação básica em diálogos reflexivos sobre a estrutura multiplicativa. São Paulo: Unian.

Barreto, M. G. B., & Prado, M. E. B. B. (2011). Repensando a formação de professores que ensinam matemática nos primeiros anos do ensino fundamental: um diálogo entre saberes e práticas. In Anais 13 CIEM (pp. 1-11). Recife: Universidade Federal do Pernambuco.

Ferreira, M. C. C. (2014). Conhecimento matemático específico para o ensino na Educação Básica: a álgebra na escola e na formação do professor. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Freire, P. (2008). Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra.

Imbernón, F. (2009). Formação permanente do professorado: novas tendências. São Paulo: Cortez.

Ma, L. (2009). Saber e ensinar matemática elementar. Lisboa: Gradiva.

Moreira, P. C. (2004). O conhecimento matemático do professor: formação na licenciatura e prática docente na escola básica. Tese de Doutorado em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Nacarato, A. M., Mengali, B. L. S., & Passos, C. L. B. (2009). A matemática nos anos iniciais do ensino fundamental: tecendo fios do ensinar e do aprender. Belo Horizonte: Autêntica.

Nacarato, A. M., & Paiva, M. A. V. (2008). A formação do professor que ensina matemática: perspectivas e pesquisas. Belo Horizonte: Autêntica.

Nóvoa, A. (2007). Desafios do trabalho do professor num mundo contemporâneo. São Paulo: SINPRO SP.

Oliveira, R. M. M. A., & Passos, C. L. B. (2008). Promovendo o desenvolvimento profissional na formação de professores: a produção de histórias infantis com conteúdo matemático. Ciência e Educação, 14(2), 315-330.

Passos, C. L. B. (2013). Formação matemática de professores dos anos iniciais. In Anais do 11 Encontro Nacional de Educação Matemática, pp.1-16. Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Pimenta, S. G. (1999). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez.

Placco, V. M. N. S., & Souza, V. L. T. (2015). Aprendizagem do adulto professor. São Paulo: Loyola.

Ponte, J.P. (2003). Investigar, ensinar e aprender, Actas do ProfMat. Lisboa: APM.

Prado, M.E.B.B. (2003). Educação a Distância e formação do professor: redimensionando concepções de aprendizagem. Tese de Doutorado em Educação: Currículo. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.

Saiz, I. (1996). Dividir com dificuldade ou a dificuldade de dividir. In: C. Parra, & I. Saiz, Didática da matemática: reflexões psicopedagógicas, pp. 73-155. Porto Alegre: Artes Médicas.

Schön, D. A. (1997). Formar Professoras como Profissionais Reflexivos. In A. Nóvoa (Coord.), Os professores e a sua formação, pp.77-91. Lisboa: Dom Quixote; Instituto de Inovação Educacional.

Vergnaud, G. (2009). A criança, a matemática e a realidade. Curitiba: Editora

UFPR. 322 p.

Vergnaud, G. (2013). Compétence, activité et conceptualisation. In 65 Anais CIEAEM. Quaderni di Ricerca em Didattica / Matemática (QRDM), 23, 81-97. Supplemento n.1. Commission Internationale pour l’Étude et l’Amélioration de l’Enseignement des Mathématiques, Universidade de Palermo, Itália.

Vigotsky, L. S. (1987). Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes.

Weisz, T., & Sanchez, A. (2000). O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Ática.

Zeichner, K. (1997). Novos Caminhos para um practicum: uma perspectiva para os anos 90. In A. Nóvoa, Os professores e a sua formação, p.115-138. Lisboa: Dom Quixote, Instituto de Inovação Educacional.

Zeichner, K. (2008, maio/agosto). Uma análise crítica sobre a reflexão como conceito estruturante na formação docente. Educ Sociedade, 29(103), 535-554.

Zimer, T. T. B. (2008). Aprendendo a ensinar matemática nas séries inicias do Ensino Fundamental. (299 ff.). Tese de Doutorado em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Downloads

Publicado

2019-12-30

Edição

Seção

Artigos