A Linguagem Escrita Proporciona um “Espaço De Encontro” no PIBID Matemática: Processos Interativos e Coletivos Potencializados

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17921/2176-5634.2019v12n1p38-50

Resumo

O artigo apresenta um recorte de uma pesquisa de doutorado em andamento no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências da Universidade Federal do Rio Grande – FURG. O objetivo foi compreender os sentidos construídos pelos professores de Matemática em formação acadêmico-profissional, em relação ao aprender com e sobre a linguagem escrita praticada no espaço formativo do Programa Institucional de Bolsa e Iniciação à Docência-PIBID, em específico no subprojeto Matemática da FURG. A fundamentação teórica refere-se à formação acadêmico-profissional de professores de Matemática pensada como um processo inacabado que se dá em um continuum, com base nas ideias de Tardif e Diniz-Pereira e a linguagem escrita como um artefato cultural para a construção do conhecimento e, assim, de aprendizagem docente, a partir do pensamento vigotskiano. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho histórico-cultural, que teve início no 2º semestre de 2014 e foi desenvolvida no PIBID, subprojeto Matemática da FURG. Os sujeitos participantes foram 11 professores em formação acadêmico-profissional, integrantes do edital n.º 61/2013/CAPES/PIBID. As informações discursivas que originaram o corpus de análise foram produzidas a partir do desenvolvimento de duas etapas: a proposta Movimentando-se com a Escrita, realizada de outubro de 2014 a dezembro de 2015 e uma conversa que aconteceu de modo individual, no decorrer do primeiro semestre de 2016. Com base no método da Análise Textual Discursiva, um dos argumentos centralizadores que emergiu foi a ideia de que a linguagem escrita proporciona um ‘espaço de encontro’ no PIBID Matemática pela mediação de processos interativos e coletivos potencializados.

 

Palavras-chave: Professores. Formação Acadêmico-Profissional. Matemática. Linguagem Escrita.

 

Abstract

This article presents a cut from an ongoing doctorate research from the post-graduation program in Science Education of the Federal University of Rio Grande – FURG. The goal of the study was comprehending the senses built by new academic-professional mathematics professors in relation to learning with and about the written language practiced in the formative space of the Institutional Program of the Initiation of Teaching Scholarship – PIBID specifically on the mathematics subproject of FURG. The theoretical ground refers to the academic-professional formation of the mathematics professor thought as an unfinished process that is made as a continuum based on the ideas of Tardif and Diniz – Pereira and also on the written language as a cultural artefact for the construction of the knowledge and, that way, learning how to teach from a vigotskian thought. It is a qualitative research related to a historical and cultural issue that started in the second semester of 2014 and it was developed from PIBID, mathematics subproject of FURG. The research had as participants eleven professors in academic-professional formation that belonged to the public note 61/2013/CAPES/PIBID. The discoursive information that originated the corpus of the analysis was produced from the development of two steps: the proposal Moving Yourself by Writing, that occurred from October 2014 to December 2015 and a conversation that happened in an individual way during the first semester of 2016. Based on the method of Textual Discoursive Analysis, one of the centered arguments that emerged was the idea that the written language provides a “meeting space” at the mathematics PIBID by the mediation of interactive processes and potencialized collectives.

 

Keywords: Professors. Academic-Professional Formation. Mathematics. Written Language.

Biografia do Autor

Liliane Silva de Antiqueira, Universidade Federal do Rio Grande. RS, Brasil.

Doutora em Educação em Ciências (PPGEC) pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG

Celiane Costa Machado, Universidade Federal do Rio Grande. RS, Brasil.

Professora doutora do Instituto de Matemática, Estatística e Física - IMEF, FURG.

Referências

Almeida, A. R. & Megid, M. A. (2017). A escrita colaborativa na formação continuada de professores que ensinam Matemática. Inter-Ação, 42(1),176-193.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2015). Professores e licenciandos narradores de histórias: uma prática de escrita. Anais do Encontro Gaúcho de Educação Matemática, Porto Alegre, RS, Brasil. Disponível em: <http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/anais-do-egem/assets/2015/1111522081.pdf>.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2016). A escrita na formação de professores de Matemática. Anais do Simpósio da Formação do Professor de Matemática da Região Sul, Rio Grande, RS, Brasil. Disponível em: <http://anpmat.sbm.org.br/anais-dos-simposios/simposios-da-regiao-sul>.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2016a). Uma prática de escrita mediada pela Matemática em História em Quadrinhos. Anais da Mostra da Produção Universitária: Diferentes aprendizados, múltiplos saberes e do Encontro de Pós-Graduação, Rio Grande, RS, Brasil.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2016b). Escrevendo histórias e dialogando com outras histórias: uma prática de escrita no PIBID Matemática. In: E. Pereira, et al. (Org.). Formação de professores em diferentes contextos. Rio Grande: Pluscom.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2017). Movimentando-se com a Escrita: uma proposta com professores em formação. In: M. Cebreiros et al. (Org.). La enseñanza de las ciencias en el actual contexto educativo. Ourense/Espanha: Educacíon.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2017a). Escrever sobre o escrever na Matemática. Anais da Mostra da Produção Universitária: Diferentes aprendizados, múltiplos saberes e do Encontro de Pós-Graduação, Rio Grande, RS, Brasil.

Antiqueira, L. & Machado, C. (2017b). A arte de escrever e contar minha história: narrativas autobiográficas de professores em formação. Enseñanza de Las Ciencias: 2719-2724.. Disponível em: < https://ddd.uab.cat/record/184101>.

Antunes, I. (2003). Aula de Português: encontro & interação. São Paulo: Parábola Editorial.

Araújo, E. S. & Moura, M. O. (2012). Contribuições da teoria histórico-cultural à pesquisa qualitativa sobre formação docente. In: S. G. Pimenta & M. A. S. Franco (Org.). Pesquisa em educação: possibilidades investigativas/formativas da pesquisa-ação. São Paulo: Edições Loyola.

Barbier, R. (2004). A pesquisa-ação. Brasília: Líber Livro Editora.

Bica, L. C. & Mello, E. M. (2015). Formação acadêmico-profissional de professores municipais de matemática dos anos finais do ensino fundamental: perspectivas interdisciplinares. Rev. Eventos Pedagógicos 6 (2), 328-346.

Bogdan, R. & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em Educação. Portugal: Porto.

Brandão, C. (2005). Comunidade Aprendente. In: L. Ferraro (Org.). Encontros e caminhos: formação de educadoras(es) ambientais e coletivos educadores. Brasília: MMA.

Brasil. (2007a). Ministério da Educação. Portaria Normativa n.º 38, de 12 de dezembro de 2007. Dispõe sobre o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID. Brasília, DF. Disponível em: <http://www.cmconsultoria.com.br/imagens/diretorios/diretorio14/arquivo1003.pdf >. Acesso em: 29 set. 2018.

Brasil. (2013b). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica. Relatório de Gestão 2009-2013. Brasília, DF.

Brasil. (2013). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Edital CAPES/PIBID n.º 61/2013. Brasília.

Broch, I. K. (2008). Escrita coletiva de texto teatral em língua inglesa em ambiente virtual de aprendizagem: o foco do aluno no processo. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.

Cacciamani, J. (2012). Os Encontros sobre Investigação na Escola: articulação entre a formação acadêmico-profissional e a produção de currículo pela escrita da sala de aula. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, Brasil.

Carvalho, J. A. B. (2011). Escrever para aprender: contributo para a caracterização do contexto Português. Interacções, 7 (19), 219-237.

Carvalho, J. A. B. & Pimenta, J. (2005). Escrever para aprender, escrever para exprimir o aprendido. Anais do Congresso Galaico Português de PsicoPedagogia, Braga, Portugal.

Diniz-Pereira, J. E. (2008). A formação acadêmico-profissional: compartilhando responsabilidades entre as universidades e escolas. Anais do Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino, Porto Alegre, RS, Brasil.

Farias, S. A. & Bortolanza, A. M. E. (2015). O papel da linguagem escrita nos processos de ensino e aprendizagem: um estudo teórico. Educação & Linguagem, 18(2), 63-85.

Ferreira, C. R. (2007). Uma experiência de produção coletiva de textos. In: G. V. T. Prado & R. Soligo (Org.). Porque escrever é fazer história: revelações, subversões, superações. Campinas: Alínea.

Freitas, M. T. A. (2009). A pesquisa de abordagem histórico-cultural: um espaço educativo de construção de sujeitos. Teias. 10(19), 1-12.

Góes, M. C. (1991). A natureza social do desenvolvimento psicológico. Cad Cedes, (24), 17-24.

Jaramillo, D., Freitas, M. T. M., & Nacarato, A. M. (2009). Diversos caminhos de formação: apontando para outra cultura profissional do professor que ensina Matemática. In: A. M. Nacarato & C. Lopes (Org.). Escritas e leituras na Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica.

Machado, C. & Pinho, D. (2013). Percepções acerca do PIBID Matemática FURG. In: M. C. Galiazzi & I. Colares (Org.). Comunidades Aprendentes de Professores: o PIBID na FURG. Ijuí: UnijuÍ.

Marques, M. O. (2011). Escrever é preciso: o princípio da pesquisa. Ijuí: Unijuí.

Meira, A. C. (2007). A escrita científica no Divã: entre as possibilidades e as dificuldades para com o escrever. Porto Alegre: EDIPUCRS.

Moraes, R., & Galiazzi, M. C. (2011). Análise textual discursiva. Ijuí: Unijuí.

Pino, A. (1991). O conceito da mediação semiótica em Vygotsky e seu papel na explicação do psiquismo humano. Cad. Cedes, (24), 32-43.

Ponte, J. P. (2014). Formação do professor de Matemática: perspectivas atuais. In: J. P. Ponte. Práticas profissionais dos professores de Matemática. Lisboa: Instituto da Universidade de

Prado, G. & Soligo, R. (2007). Porque escrever é fazer história: revelações, subversões, superações. Campinas: Alínea.

Rodrigues, A. (2011). Tornar-se professor de Psicologia: encontros com o outro. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Pelotas, UFPel, RS, Brasil.

Sarmento, D. F. (2006). A Teoria Histórico-Cultural de L. S. Vygotsky: uma análise da produção acadêmica e científica no período de 1986 a 2001. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil.

Schmidt, E. B., & Galiazzi, M. C. (2013). A integração universidade-escola básica no projeto Cirandar. In: M. C. Galiazzi (Org.). Cirandar: rodas de investigação desde a escola. São Leopoldo: Oikos.

Smolka, A. L. B. (2000). O (im)próprio e o (im)pertinente na apropriação das práticas sociais. Caderno Cedes, (50).

Tardif, M. (2014). Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes.

Van Der Veer, R., & Valsiner, J. (2006). Vigotski: uma síntese. São Paulo: Loyola.

Vigotski, L. S. (2007). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes.

Vigotski, L. S. (2008). Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes.

Downloads

Publicado

2019-04-30

Como Citar

Antiqueira, L. S. de, & Machado, C. C. (2019). A Linguagem Escrita Proporciona um “Espaço De Encontro” no PIBID Matemática: Processos Interativos e Coletivos Potencializados. Jornal Internacional De Estudos Em Educação Matemática, 12(1), 38–50. https://doi.org/10.17921/2176-5634.2019v12n1p38-50

Edição

Seção

Artigos