O Papel do Educador no Favorecimento da Argumentação no Ensino de Matemática

Autores

  • Willa Nayana Corrêa Almeida Universidade Federal do Pará, Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas. PA, Brasil.
  • João Manoel da Silva Malheiro Universidade Federal do Pará, Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas. PA, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.17921/2176-5634.2019v12n2p172-182

Resumo

Este estudo visa analisar os propósitos e ações da professora-monitora para o favorecimento da argumentação entre sete discentes participantes do Clube de Ciências “Prof. Dr. Cristovam W. P. Diniz”, durante uma atividade experimental investigativa que buscava discutir os conceitos de área e perímetro, tanto como objeto geométrico quanto grandeza. Para tanto, utilizaremos as ideias teóricas de Sasseron (2013) acerca das intenções e atitudes que o educador pode desenvolver em sala de aula para possibilitar o debate de ideias e surgimento de argumentos. A pesquisa se caracteriza como qualitativa, sendo utilizada a Análise de Conteúdo para interpretação das informações levantadas a partir de videogravações. O espaço investigado é considerado um ambiente de educação não-formal destinado ao ensino, pesquisa e extensão de ações didáticas voltadas às Ciências e Matemáticas. Durante as análises realizadas percebemos que nossas intervenções como professora-monitora auxiliaram no surgimento da argumentação e na construção do conhecimento matemático, pois foi por meio das perguntas colocadas e de algumas contraposições de ideias, que os educandos puderam desenvolver os passos investigativos necessários para solução do problema, assim como criar argumentos bem estruturados e com qualidade.

Palavras-chave: Educação Matemática. Argumentação. Propósitos e Ações do Educador.

Abstract
This study aims to analyze the purposes and actions of the teacher-monitors to favor the argumentation among seven students participating
of the Science Club “Prof. Dr. Cristovam W. P. Diniz”, during an experimental investigative activity that sought to discuss concepts of area and perimeter both as geometric object and magnitude. For so much, we will use the theoretical ideas of Sasseron (2013) about the intentions and attitudes that the educator can develop in the classroom to enable the debate of ideas and arguments. The research is characterized as qualitative, using Content Analysis to interpret the information gathered from video recordings. The space investigated is considered an environment of non-formal education destined to the teaching, research and extension of didactic actions directed to Sciences and Mathematics. During the analyzes we realized that our interventions as teacher-monitor helped in the emergence of argumentation and in the construction of mathematical knowledge, because it was through the questions posed and some oppositions of ideas that the students were able to develop the investigative steps necessary to solve the problem, as well as to create well-structured and quality arguments.

Keywords: Mathematics Education. Argumentation. Purposes and Actions of the Educator.

Referências

Almeida, W. N. C. (2017). A Argumentação e a Experimentação Investigativa no Ensino de Matemática: O Problema das Formas em um Clube de Ciências. 2017. 109f. (Dissertação de Mestrado em Docência em Educação em Ciências e Matemáticas) – Universidade Federal do Pará, Belém.

Banks-Leite, L. (2011) Apresentação. In: Leitão, S.; Damianovic, A. C. Argumentação na escola: O conhecimento em construção, (pp.7-11). Campinas: Pontes Editores.

Barbosa, P. R. (2002). Efeitos de uma sequência de atividades relativas aos conceitos de comprimento e perímetro no Ensino Fundamental. 2002. 214 f. (Dissertação de Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

Bellemain, P. M. B., & Lima, P. F. (2002). Um estudo da noção de grandeza e implicações no ensino fundamental. Natal: SBHMAT.

Boavida, A. M. R. (2005). A argumentação em matemática: Investigando o trabalho de duas professoras em contexto de colaboração. Lisboa: Universidade de Lisboa.

Boavida, A. M. R.; Paiva, A. L.; Cebola, G.; Vale, I., & Pimentel, T. (2008). A experiência matemática no ensino básico: Programa de formação contínua em matemática para professores dos 1º e 2º ciclos do ensino básico. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação.

Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação: Uma introdução à teoria e aos métodos. Portugal: Porto Editora.

Brasil. (1998). Parâmetros curriculares nacionais: matemática. Brasília: MEC/SEF.

Carvalho, A. M. P. (2011). Uma metodologia de pesquisa para estudar os processos de ensino e aprendizagem em salas de aula. In: Santos, F. M. T.; Greca, I. M. A pesquisa em ensino de Ciências no Brasil e suas metodologias. (pp. 13-47). Ijuí: Inijuí.

Carvalho, A. M. P. (2013). O ensino de ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. In: A. M. P. Carvalho (Org.), Ensino de Ciências por Investigação: Condições para implementação em sala de aula (pp. 1-20). São Paulo: Cengage Learning.

Carvalho, A. M. P., Vannucchi, A. I., Barros, M. A., Gonçalves, M. E. R., & Rey, R. C. (2009). Ciências no Ensino Fundamental: o conhecimento físico. São Paulo: Scipione.

Cazzola, M. (2008) Problem-Based Learning and Mathematics: Possible Synergical Actions. In: Chova, L. G.; Belenguer, D. M.; Torres, I. C. (Org.) International Conference of Education, Research and Innovation (ICERI) Proceeding, International Association of Technology, Education and Development (IATED). Espanha: s. n.

Douady, R., & Perrin-Glorian, M. (1989). Un processus d’apprentissage du concept d’aire de surface plane. Educational Studies in Mathematics, v. 7, nº 2, p. 30-115.

Dolce, O., & Pompeo, J. N. (2013). Fundamentos da Matemática Elementar (Volume 9): Geometria Plana. (9. ed.). São Paulo: Atual.

Gohn, M. G. (2001). Educação não-formal e cultura política: Impactos sobre o associativo do terceiro setor. (2. ed.). São Paulo: Cortez.

Figueiredo, D. G. (1989). Problemas de máximo e mínimo na geometria euclidiana. Revista Matemática Universitária, v. 9/10, 69-108.

Laburú, C. E. (2006). Fundamentos para um experimento cativante. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 23(3), 382-404.

Leitão, S. (2007). Processos de construção do conhecimento: a argumentação em foco. Pro-Posições, v. 18, n. 3(54), set./dez., Campinas-SP.

Lorenzato, S. (2010). Para aprender matemática. (3. ed.) Campinas-SP: Autores associados.

Malheiro, J. M. S. (2016). Atividades experimentais no ensino de ciências: limites e possibilidades. Actio: Docência em Ciência, 1(1), 107-126.

Moraes, R. (2002). Participando da conversa: Construindo competências argumentativas na fala e na escrita. In: Scarton, G.; Smith, M. M. Manual de redação. Porto Alegre: PUCRS, FALE/GWEB/PROGRAD.

Moreto, F. A. (2013). Problema isoperimétrico e aplicações para o ensino médio. (Dissertação de Mestrado Profissional em Matemática). Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista. Rio Claro (SP): UNESP.

Nunes, J. M. V. (2011). A prática da argumentação como método de ensino: O caso dos conceitos de área e perímetro de figuras planas. (Tese de Doutorado em Educação Matemática), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo: PUC/SP.

Pais, L. C. (1996). Intuição, experiência e teoria geométrica. Zetetiké. Campinas-SP, v. 4, n. 6, jul.-dez., p. 65-74.

Perelman, C., & Olbrechts-Tyteca, L. (2005). Tratado da argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes.

Sasseron, L. H. (2013). Interações discursivas e investigação em sala de aula: o papel do professor. In: A. M. P. Carvalho. Ensino de ciências por investigação: Condições para implementação em sala de aula (pp. 41-62). São Paulo: Cengage Learning.

Sasseron, L. H., & Carvalho, A. M. P. (2011). Construindo argumentação em sala de aula: a presença do ciclo argumentativo, os indicadores de Alfabetização Científica e o padrão de Toulmin. Ciência e Educação, 17(1), 97-114.

Sasseron, L. H., & Carvalho, A. M. P. (2013). Ações e indicadores da construção do argumento em aula de Ciências. Revista Ensaio, Belo Horizonte, 15(2), 169-189.

Toulmin, S. E. (2001). Os Usos do Argumento. São Paulo: Martins Fontes.

Downloads

Publicado

2019-09-05

Edição

Seção

Artigos