Do Engenheiro Didático ao Trabalhador em Risco Psicossocial: Vivências do Professor de Matemática

Autores

  • Jorge Tarcísio da Rocha Falcão Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Departamento de Psicologia. RN, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.17921/2176-5634.2017v10n2p123-129

Resumo

O professor de Matemática é responsável pela mediação eficiente, junto aos alunos que lhe são confiados, de um conjunto de competências e habilidades que abarcam um certo conjunto de ferramentas cognitivas, como invariantes lógico operatórios, esquemas conceituais e mesmo inserção nas regras e expectativas de uma comunidade de praticantes. Adicionalmente, espera-se que este professor facilite o  acesso dos seus alunos ao acervo histórico-conceitual representado pelo saber matemático acumulado até então. O atingimento dessas metas pedagógicas por parte do referido professor demandará uma série de iniciativas complexas e concatenadas, e seu insucesso total ou parcial será explicado por limitações do seu arsenal didático-pedagógico, o que por sua vez costuma ser associado a carências de formação e capacitação profissionais. O presente artigo busca contribuir com argumentos teóricos e dados empíricos no sentido de que o poder de agir do professor de matemática em sala de aula não pode ser compreendido estritamente em termos do cabedal de ferramentas didático-pedagógicas disponíveis para este professor. Mais do que um engenheiro didático que lida com conceitos e montagem de “andaimes cognitivos” para auxiliar a aprendizagem dos seus alunos, o professor de matemática é um profissional cujo poder de agir, desenvolvimento, prazer, sofrimento, saúde e adoecimento somente podem ser compreendidos no contexto biográfico do seu acervo de vivências historicamente situadas e em seu coletivo e gênero profissional. 

Palavras-chave: Ensino de Matemática. Atividade Profissional Docente. Poder de Agir do Professor de Matemática.


Abstract
The Mathematics teacher is responsible for the efficient mediation, together with the students entrusted to him, of a set of skills and abilities that encompass a certain set of cognitive tools, such as operative logical invariants, conceptual schemes and even insertion in the rules and expectations of a community of practitioners. Additionally, it is expected that this teacher will facilitate the access of his students to the historical-conceptual collection represented by the accumulated mathematical knowledge until then. The achievement of these pedagogical goals by the said teacher will require a series of complex and concatenated initiatives, and his total or partial failure will be explained by limitations of his didactic-pedagogical arsenal, which in turn is usually associated with lack of training and qualification professionals. The present article seeks to contribute with theoretical arguments and empirical data in the sense that the mathematical teacher’s power to act in the classroom can not be understood strictly in terms of the pedagogical-pedagogical tool available to this teacher. More than a didactic engineer who deals with concepts and assembly of “cognitive scaffolds” to aid the learning of his students, the math teacher is a professional whose power to act, development, pleasure, suffering, health and illness can only be understood in the biographical context of its collection of historically situated experiences and in its collective and professional gender.

Keywords: Mathematics Teaching. Professional Activity of Mathematics Teachers. Power of Acting of Mathematics Teachers.

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Publicado

2017-07-30

Edição

Seção

Artigos